Autor: José Alfredo Schierholt


Autor: José Alfredo Schierholt
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Montagem: Orestes Josué Mallmann

sábado, 15 de novembro de 2014




190 anos da imigração alemã no RS


Feitoria muda seu nome para São Leopoldo

            Fazia apenas alguns meses que a fabriqueta de cordas e cordéis da Real Feitoria do Linho Cânhamo tinha sido desativada. Mas, em boa parte ainda se conservavam as plantas canabíneas para a produção de filamentos e fibras feita por escravos em lavouras de açorianos. Com a chegada dos imigrantes, os poucos moradores tiveram um novo alento na produção de alimentos para os imigrantes, pagos pelo governo provincial.
            As queixas da demora na medição e distribuição dos lotes coloniais e até as reclamações pelo racionamento da alimentação fornecida pelos donos de botecos repercutiram nas cartas escritas aos parentes na Alemanha, com eco nas embaixadas e na imprensa alemã. O governo imperial sentia o clima desconfortável de seu agente, major Jorge Antônio von Schaeffer em diversos estados germânicos. Dom Pedro precisava de mais soldados para o exército imperial e por isso tratou de fortalecer a função exercida pelo seu representante na Alemanha.
            Para não sofrer represálias junto ao governo alemão, major Schaeffer anotava nas listas de passageiros imigrantes a profissão de “colono” para muitos soldados e jovens desempregados na Alemanha. Schaeffer garantia um futuro promissor à juventude desassistida alemã aos que preferissem vir para o Brasil.
            Entre as dificuldades enfrentadas pelos imigrantes, além de desconhecer a língua portuguesa, era informar aos seus parentes nas cartas onde estavam morando, pois, a denominação de Feitoria do Linho Cânhamo estava muito complicada. Por esta razão, os pioneiros pediram ao governo a mudança do nome para Colônia São Leopoldo, em homenagem à princesa Leopoldina, esposa do imperador Dom Pedro I.
Enquanto os imigrantes aguardavam os agrimensores medir os lotes coloniais, em mutirão todos se juntavam para construir a Casa do Imigrante (foto).



Jovens açorianos entre imigrantes alemães

            O presidente da província, José Feliciano Fernandes Pinheiro, em 12 de agosto de 1824, mandou um ofício ao inspetor da Colônia de São Leopoldo, José Tomás de Lima, com instruções aos agrimensores e juiz de paz, acompanhando a segunda turma de imigrantes. Talvez, seja apressada a conclusão de considerar insignificante a vinda de apenas 6 novos imigrantes esta segunda leva. Entretanto, a importância deste grupo diminuto seja a inclusão de dois imigrantes das ilhas dos Açores: o João Antônio da Cunha, de 35 anos de idade, e a Hiacintha ou Jacinta da Rosa, de 29 anos de idade. O casamento deles estava previsto na primeira visita pastoral a ser feita por um sacerdote, vindo de Gravataí.
Este contato direto entre os açorianos e alemães facilitava a comunicação entre os fornecedores de alimentos aos colonos e a aprendizagem das primeiras palavras em língua portuguesa mais necessárias para se comunicarem.
Além dos açorianos, vieram também mais quatro alemães solteiros: João Daniel Gottfried Kümmel, ferreiro, 36 anos; Joaquim Frederico Guilherme Jäger, 45 anos, lavrador; André Cristóvão Meyer, 22 anos, lavrador; eram todos evangélicos; e Ignácio Rasch, pedreiro, 24 anos, católico. Esses quatro solteiros vieram 18 dias depois da chegada dos pioneiros por terem permanecido no Hospital Militar em Porto Alegre para tratar de sua saúde, maltratados pelo capitão da sumaca São Francisco de Paula.
           Vale informar que esse Ignácio Rasch recebeu o Lote nº 1 do plano diretor do núcleo urbano de São Leopoldo, quase defronte à igreja. Nascido na Baviera em 1790, Rasch foi o primeiro a abrir um Armazém de Secos e Molhados em São Leopoldo e o primeiro barqueiro no Rio dos Sinos, quando ainda não havia ponte. Não demorou muito, também instalou a primeira fabriqueta de cerveja para alegrar o povo em suas festas de Kerb. Como se vê, foi pioneiro empresário no comércio, indústria e serviços em São Leopoldo, onde faleceu em 1835, casado com Gertudes Heinz.

Imigrante evangélico enganado por promessas

            Entre os 39 primeiros imigrantes, em torno de 15 crianças estavam em idade escolar. O grupo seguinte tinha o mesmo número. Além dos pais, quem se preocuparia com estas crianças? E quais as medidas e a solução?
A propaganda feita pelos agentes da Colonização no Brasil escondia a verdade quanto à religião. Prometia a liberdade religiosa, pois, de fato, ao ser proclamada a Independência no Brasil, não se sabia ao certo como ficaria.  A Constituição do Império, outorgada por D. Pedro I a 25 de março de 1824, firmou em seu artigo 5º o princípio constitucional da Religião do Estado e institucionalizou a Religião Católica como sendo a oficial do Império. Assim, o culto católico interno como externo constituiu um dos direitos fundamentais dos brasileiros.
Embora existissem essas atribuições ao Estado, o casamento era quase que totalmente regido pelo Direito Canônico, o que causava uma posição incerta e desagradável àqueles que não eram católicos, pois estava o País ainda ligado à antiga e intolerante legislação portuguesa que exigia como prova de estado civil a certidão do pároco católico.
A liberdade de culto de religião, apesar de declarada, era somente tolerada, pois ia contra a Constituição Brasileira. Para tanto, os imigrantes protestantes não poderiam construir prédios que tivessem a aparência de igreja, como usando sinos e cruzes. Por isso, construíam escolas, onde os professores faziam o papel de pastor itinerante para presidir o culto, cantar nas festas e mesmo nos sepultamentos.
Os pastores itinerantes passaram a fazer registros de seus atos, como Livro de Batismo, Casamentos e Óbitos.
Tais atribuições eram próprias dos párocos no Brasil Império, considerados funcionários do Império.
Também as famílias católicas não tiveram a assistência religiosa a contento. Só depois de 25 anos da imigração, em 1849 chegavam a São Leopoldo os primeiros jesuítas de fala alemã.


O quadro está na Enciclopédia Rio-grandense, 1º vol. 1956, p.73, de autor não indicado.


Terceira leva de imigrantes em São Leopoldo

Major Schaeffer recrutou muitos colonos, mas também soldados como se fossem colonos. Este fato repercutiu na imprensa alemã. Por isso, como se pretendesse agradar gregos e trianos, levou também alguns imigrantes cumprindo penas em prisões.
A terceira leva de 81 imigrantes desembarcou em São Leopoldo em 6 de novembro de 1824. Tratava-se de 16 famílias, sendo 68 pessoas casadas e 13 solteiras. Estavam neste terceiro grupo pessoas consideradas muito importantes e que, de certa forma, consolidaram a nova Colônia de Alemães de São Leopoldo, como no início foi denominada.
A importância destas pessoas consistia nas profissões e cargos que alguns deles assumiram no início de São Leopoldo.
O primeiro foi Dr. João Daniel Hillebrand, médico e primeiro diretor da Colônia de São Leopoldo. Quando estudante, em 1815 participou da batalha de Waterloo e oito anos depois, formou-se em Medicina na Universidade de  Göttingen, em 1823, vindo a trabalhar em sua terra natal, em Hamburg, onde se inscreveu para emigrar ao Brasil, como médico de bordo. Foi passageiro do navio Germânia, no qual foram fuzilados alguns mercenários rebeldes. Sempre foi solteiro e por isso teve total dedicação aos pioneiros imigrantes. Como médico, lutou pelo combate à cólera. Durante a Guerra Cisplatina, empenhou-se angariar 120 voluntários jovens que foram lutar pelo Império brasileiro. Na Guerra dos Farrapos, defendeu os interesses do Império, mesmo contra alguns imigrantes que foram a favor dos farroupilhas. Na política, Hillebrand foi eleito vereador e presidente da Câmara, em 1856-1861. Faleceu em 9-7-1880.
Também foi médico nesta terceira leva Dr. Carlos Godofredo von Ende, também já mencionado anteriormente, bem como Carlos Niethammer, primeiro farmacêutico em São Leopoldo, ou boticário, como se dizia.
Notável também foi o primeiro pastor evangélico de São Leopoldo, Carlos Godofredo Ehlers. Nascido em 1768, estava casado com Maria Margaretha Tiedmann. Depois de viúvo, veio ao Brasil com os filhos Maria Regina, Augusta Francisca e Alexander Constantin. Ele já iniciou em 1-6-1824 fazendo registros em livros eclesiásticos de batizados, casamentos e óbitos estando embarcado no navio Germânia, no porto do Rio Elba, em Hamburg. Seu coadjunto (ou cooperador) foi o pastor Carl Leopold Voges, vindo em São Leopoldo em 11-2-1825, com 22 anos de idade. Dois meses depois, os dois se desentenderam. Ehlers, mudou-se para Dois Irmãos e, mais tarde, para Três Forquilhas, vindo a falecer em Porto Alegre, em 1850.
A partir de 1825, os primeiros imigrantes foram ocupar seus lotes coloniais demarcados, dando origem a diversas linhas coloniais, hoje vilas e cidades espalhadas na região de São Leopoldo.



Primeiros imigrantes em Taquari

Segundo Carlos H. Hunsche, em O Ano 1826 da Imigração e Colonização Alemã no Rio Grande do Sul, a menção mais antiga de imigrantes alemães em Taquari é de 5-2-1833, quando nasceu Maria Luíza Schreiner, filha de João Frederico Schreiner e Madalena Stumph, e neta de Frederico Schreiner, alfaiate na Alemanha, de onde veio a São Leopoldo em 17-4-1826. Segundo depoimento oral do Prof. Rodolpho W. Schreiner, hoje nonagenário, seu avô Friedrich Schreiner tinha uma casa comercial em Taquari. Foi duas vezes assaltada. Na primeira vez, pelos farrapos, e na segunda vez, na retomada da vila pelos legalistas, em 3 de maio de 1840.
Em 25 de abril de 1836, no início da Revolução Farroupilha, Carlos Frederico Oto Heise oficiava ao Juiz de Paz de Taquari no sentido de impedir a passagem, pelo distrito, de alemães sem passaporte assinado pelo mesmo Heise. Esse texto encontramos no semanário O Taquaryense, de 24-6-1939. Estava-se no início da Revolução Farroupilha. O major Heise ajudava o major Jorge Antônio de Schaeffer recrutar soldados imigrantes alemães nas primeiras levas, em 1824. Na Revolução Farroupilha foi a favor dos revolucionários.
O que é de estranhar muito é o desconhecimento de pesquisadores da região quanto a estes fatos e dão como início da imigração teuto-brasileira na região em 1854, com a chegada dos primeiros compradores de lotes coloniais na Colônia dos Conventos, com sede no atual bairro de Carneiros, em Lajeado. O Instituto Histórico e Geográfico do Vale do Taquari vem alertando os pesquisadores para que busquem os dados em fontes primárias e procurem olhar mais além de Forquetinha, Conventos e Lajeado.
Um pouco mais de um século após a instalação da paróquia de São José já estavam os primeiros imigrantes alemães na região. Tendo ouvido falar que havia um processo de criação de novo município, alguns imigrantes vieram se fixar no povoado. Criado em 4 de julho, foi instalado já em 3 de dezembro de 1849 o novo município de Taquari.
Segundo a lista dos eleitores de Taquari, de 1863, extraímos os seguintes eleitores de etnia germânica, com sua respectiva idade e profissão: Carlos Frederico Matte, 31, ourives: Fernando Augusto Maximiliano Kersting, 52, negociante; Floriano Ivorask (?), 54, agrimensor; Guilherme Lautert, 40, curtidor, Adão Elli (deve ser Ely), 28, lavrador; Cristiano Schmitt, 26, sapateiro; Carlos Lampert Primi (?), 27, ourives e Cristiano Barth, 32, ferreiro. João Barth comprou a chácara de Manuel de Souza.

Seguiu-se a primeira colonização alemã junto à Taquari: a Colônia de Morro Azul, no seu 1º distrito e parte no 3º. Um dos imigrantes chegou a ser origem da denominação de Arroio Carlos Kussler, tributário do Arroio Morro Azul. Picada Dreher também é nome dado no século passado em Taquari.



A foto mais antiga da Igreja Matriz de Taquari.

Possivelmente, na expectativa da emancipação, Frederico Lautert tenha estabelecido em Taquari uma fabriqueta de botas, sapatos e chinelos e os comercializava. Não tendo matéria prima própria, abriu um curtume na Pedreira, subúrbios da vila. Para isso, solicitou licença à Câmara de Vereadores, petição apreciada em 10 de agosto de 1854. O despacho foi favorável desde que cuidasse para não arruinar a água de que se serve o público, diz a ata. Merece inclusão na listagem dos pioneiros Pedro Michel. Tinha muitos filhos. Comprou terras em Taquari e Teutônia.
Como os imigrantes alemães eram minoria, logo se adaptaram à vida comunitária. Uma das características foi sua rápida aculturação. Logo aprenderam bem a falar e escrever a língua portuguesa. Viram nos descendentes açorianos e portugueses a procedência europeia, tidos por eles como cultos, honestos e trabalhadores. Casaram-se entre si. Estefânia Lautert casou-se com Antônio Israel Ribeiro, delegado de polícia de Taquari. Talvez com menos intensidade, o mesmo fenômeno étnico ocorreu em Bom Retiro do Sul.

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Por que o nome Rua 10 de Novembro?


          Nome de rua em Marques de Souza, onde começa na rua Willy Goellner perto do  E. C. Brasil vai até a rua Benjamin Dörr, com asfalto que liga Marques a Travesseiro, segundo dados de Edvino Class. Também tem essa rua em Travesseiro, em cujo nº  974 está o Banco Sicredi, filial da Cooperativa de Crédito de Lajeado. Como está denominação está ainda na Relação Oficial de Ruas de Lajeado, fornecida em 10-7-2014, sem indicar o nome do bairro, nem o número da Lei, chega-se à conclusão de ter sido criada pelo Município de Lajeado. Deve ter sido um projeto de vereador ou mesmo Chefe de Executivo amante de ditadura, pois em 10 de novembro de 1937 foi dado o Golpe da ditadura do Estado Novo por Getúlio Vargas.
Essa denominação também existe em Bento Gonçalves (RS), Fraiburgo (SC), Piracicaba (SP), Vitória da Conquista (BA), Rio Branco (AC), Manaus (AM).
Aliás, para relembrar às gerações de hoje, Getúlio Vargas implantou o Estado Novo em 10 de novembro para defender o Brasil de uma nova Intentona Comunista, ocorrida no RJ em novembro de 1935.
Quase três décadas depois, novo golpe foi dado no Brasil, em 31-3-1964, por medo do perigo comunista. Ou a Rua 10 de Novembro não tem nada a nos ensinar?

Getúlio Vargas divulga o Golpe do Estado Novo




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Últimas lembranças da Viagem pela Itália

No início de maio deste ano, minha esposa e eu realizamos uma curta viagem de turismo pela Itália. Iniciamos em Milão, percorremos o norte até Veneza, visitamos também várias cidades até o sul, ficamos três dias em Roma e Vaticano, partimos até Nápoles e terminamos na Ilha de Capri. Renê tirou 1.001 fotos.

Em Nápoles se localiza o vulcão Vesúvio

Origina-se da antiga cidade grega de Neápolis, conquistada pelos romanos no século IV a.c. No século VI d.c., passou para domínio bizantino e, no século VIII, passou a ser um ducado independente. Em 1139, pertenceu ao reino da Sicília. A universidade foi fundada em 5 de Junho de 1224.  No final do século XVIII, tornou-se a capital do reino. Em 1282, passou para a coroa de Aragão, denominado reino de Nápoles. No século XIX, conseguiu ser independente, depois anexado ao reino da Sardenha em 1860 e ao da Itália, em 1861.
Nápoles é uma cidade e província no sul de Itália, com cerca de 1 000 000 habitantes. Nápoles é a terceira cidade mais populosa da Itália após Roma e Milão.
É difícil a população informar ao turista se a cidade é dominada por mafiosos. Na verdade, parece ser. Dos mafiosos depende a ajuda até para reformar igrejas ou a limpeza das ruas, o que está muito a desejar em vários lugares. Mesmo assim, é uma cidade onde os turistas deixam uma fortuna. Basta saber, que lá estão as cidades de Herculano e Pompeia, soterradas pelo Vesúvio, visto a nove quilômetros do Golfo de Nápoles. Foi lá engolido pelas lavas do vulcão (Antônio da) Silva Jardim, jovem orador e político republicano brasileiro, em 1-7-1891, homenageado com nome de rua em Lajeado.



Castelo Novo, mais conhecido por Maschio Angioino, é medieval e renascentista, um dos símbolos de Nápoles. Foi construído em 1279, demorando apenas três anos, para ser concluído.



Renê Alievi Schierholt, no calçadão no centro de Nápoles, clicada por José Alfredo Schierholt, em 10-5-2014.


Capri e Anacapri são cidades inesquecíveis


Seu nome se deve à existência de manadas de cabras, que sobem e descem as montanhas. Capri é uma ilha italiana situada no golfo de Nápoles, no mar Tirreno, a pouca distância do continente. O barco leva 80 minutos de navegação, até Nápoles.  A ilha tem uma área de 10,36 km² e perto de 7.500 habitantes. A maior elevação da ilha é o monte Solaro, com 589 m de altitude.
Os césares que mais vinham veranear em Capri eram Augusto e Tibério, que lá construíram seus palácios de verão em locais de difícil acesso. O padroeiro é S. Costanzo, cuja igreja foi construída no final do século VII, que chegou a ser sede de bispado. Tem também as igrejas de S. Ana e de S. Estêvão.
Na mesma ilha tem também a cidade de Anacapri, com 6.240 habitantes. S. Antônio de Pádua é seu padroeiro. Tem também as igrejas de S. Miguel e S. Sofia.  Lá se encontra a famosa Escadaria Fenícia, único acesso por terra entre Capri e Anacapri. A ilha oferece aos turistas incontáveis pontos de degustação e de turismo. O porto está cheio de embarcações que levam turistas a inúmeros recantos de belezas naturais inesquecíveis.









Despedida de Lisboa na volta ao Brasil



Ao voltar dos 10 dias de turismo por 11 cidades pela Itália, de norte a sul, antes de retornar ao Brasil, ficamos por algumas horas em Lisboa, onde aproveitamos conhecer os principais pontos do antigo centro histórico da cidade.


Acadêmicos do Curso de Administração da Universidade de Lisboa, com seus uniformes realiza estudos de campo na parte antiga da capital, em foto clicada por Renê Alievi Schierholt, em 10-5-2014.


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Jorge Moreira lança seu 12º livro


            Advogado, poeta, escritor, palestrante e conselheiro benemérito do Movimento Tradicionalista Gaúcho, Jorge Moreira acabou de lançar seu 12º livro 20 Anos do Grupo de Artes Nativas ANITA GARIBALDI – Uma história de tradição e família, em 8 de novembro de 2014, em Encantado. A sede social do Parque João Batista Marchese estava lotada na noite do evento por autoridades e o público em geral.
Fundado em 14 de fevereiro de 1994, na cidade de Encantado/RS, o GAN Anita Garibaldi nasceu com o intuito de preservar e cultuar as tradições gaúchas, buscando semear cultura e tradição pelo Amor ao Rio Grande, como diz no seu lema.
De lá para cá, o Grupo se mantém atuante na região e no Estado, participando de rodeios, festividades e apresentações em geral, na área artística, cultural e campeira. Além de atuar no Rio Grande do Sul, esteve presente em festivais de Folclore Internacional na Alemanha (2007), na Itália (2009) e recentemente, na Polônia (2013). Na história do Grupo estão marcadas diversas premiações importantes, como títulos no Rodeio Artístico Regional da 24ªRT, FEGART, ENART, FECARS, Rodeio Internacional de Vacaria, Osório e do Mercosul, realizado em Gravataí. Também se destacam as conquistas obtidas em Concursos de Prenda, a nível regional e estadual, contando com 21 títulos a nível regional e 5 a nível estadual.
Toda esta história dos 20 anos da “Família Anita”, como a entidade é tratada, Jorge Moreira registra em seu novo livro.










Meire Brod lança seu primeiro livro



Jornalista e escritora em Lajeado, Meire é paulista de nascimento. Desde 1999, reside em Lajeado, onde é jornalista profissional na área de comunicação empresarial, especializada em marketing.
Com 50 anos de idade, lançou seu primeiro livro Dora, pela Editora Libreto, na XIX Expovale, na Livraria Nobel do Shopping e na 60ª Feira do Livro em Porto Alegre, em 15-11-2014.
Com 180 páginas, a obra é um roteiro de novela ficcional que aborda o relacionamento entre mãe e filha, que se conflita entre admiração e sentimentos que envolvem duas gerações diferentes. A autora relata ficção mesclada com a realidade, de manuscritos escritos pela própria mãe. Aproveitou a memória escrita para refazer a história como imaginou.


quinta-feira, 16 de outubro de 2014


- 190 anos da imigração alemã no RS -


        Oito fuzilamentos no navio Germânia

A dramática viagem de pequeno veleiro hamburguês Germânia, de três mastros, iniciou do porto de Glückstadt, ao norte de Hamburg, em 3 de junho de 1824, sob o comando do capitão Hans Voss.
Sua história nos foi detalhado pelo meu confrade Carlos Henrique Hunsche, em seu livro Biênio 1824/1825 da imigração e colonização alemã no Rio Grande do Sul, em 1975.
O veleiro tinha apenas 367,12 m³ ou seja 7 x 7 x 7 metros, o que representava uma verdadeira “casca de noz”. É neste recipiente, boiando ao sabor dos ventos sobre ondas, perdido em 100 dias na imensidão do Atlântico, vivia um amontoado turbulento de mais de 300 pessoas, cada uma com suas desgraças e suas esperanças, seus rancores e seus amores – escreve Hunsche.
Contabilizou-se esse autor ter havido no Germânia 277 soldados, para os quatro batalhões alemães no Rio de Janeiro, todos arrebanhados pelo Major Schaeffer. Havia ainda 124 colonos, destinando-se 66 pessoas a São Leopoldo, lá chegados em 6-11-1824. Entre estes imigrantes, destacaram-se o jovem médico hamburguês João Daniel Hillebrand (foto), logo depois nomeado diretor da Colônia de São Leopoldo; o primeiro pastor evangélico, João Jorge Ehlers, viúvo, e seus três filhos pequenos, de 11, 7 e 3 anos.
O que é realmente estarrecedor entre os imigrantes é a listagem de 24 presos que o Major Schaeffer deixou embarcar no veleiro Germânia, tirados da cadeia de Hamburg, assim distribuídos: 13 cumpriam pena por furto; oito, por deserção (fuga do serviço militar); dois por homicídio e um por embuste. Os dois mais jovens tinham 18 anos e o mais velho, 41 anos de idade. A maior pena era de seis anos e a menor, de seis meses.
Pequeno grupo destes marginais, sempre criando sérios problemas entre passageiros, sob a liderança de Johann Carl Rasch, queria liquidar com o capitão do navio e o atirar no mar. Foram presos, mas conseguiram soltar-se. Presos mais uma vez, foram julgados por uma comissão, condenados e fuzilados, em 5 de julho de 1824. O fato deu-se no Golfo de Biscaia, na costa norte da Espanha, 13 dias antes da chegada dos 39 pioneiros em Porto Alegre.





Fracasso da Imigração alemã em São João das Missões

São João Batista das Missões tinha sido fundada pelo padre Antônio Sepp, missionário jesuíta, um polímate que dominava a música, arquitetura, urbanismo, relojoaria, pintura e escultura. Depois de catequizar 2.832 índios oriundos da redução de São Miguel, padre Sepp iniciou a construção da igreja em 1708. Esta redução mostrou alto nível de atividade cultural.
Depois do genocídio da Guerra Guaranítica, desde 1768 tudo ficou em ruínas, localizadas no interior de Entre-Ijuís.


Ruínas de São João Batista das Missões

Já nos primeiros meses de colonização, enquanto dezenas de famílias de imigrantes se integraram na abertura de caminhos, de coivaras, construção de suas casas, plantação e colheitas, outros grupos não se sujeitaram ao trabalho de pioneirismo e insistiam na rebeldia e incomodação nas diversas linhas coloniais. Tornavam-se cada vez mais indesejáveis a ponto de não encontrarem uma solução, a não ser tirá-los da região de São Leopoldo.
Com a inclusão de diversos apenados de Hamburg e Mecklenburg-Schwerin entre os imigrantes, o imperador Dom Pedro I encontrou uma solução de colonizar a antiga região missioneira no Rio Grande do Sul, no que foi incumbido o presidente da Província, com a tentativa de colonizar a primitiva região missioneira de São João das Missões. O primeiro grupo foi levado de barco até Rio Pardo, em 26 de novembro de 1824, sob o comando do Capitão Alexandre José Bernardes, prosseguindo em carroças a Santiago do Boqueirão e dali à nova Colônia de São João das Missões, fundada em 6 de janeiro de 1825. Foram 163 imigrantes
 Apesar de terem recebido uma ajuda de custo, não quiseram trabalhar em terras que lhes foi oferecida. Preferiram ficar nas proximidades de botecos, onde se embriagavam e se metiam em desordens com peões errantes e desocupados. Consumidos os subsídios recebidos, os imigrantes foram se dispersando. Uns foram incorporados aos peões errantes a serviço de caudilhos, trocaram de nomes para fugir da justiça, outros se acaboclaram totalmente. Poucos retornaram à região de São Leopoldo, onde se reincorporaram na colonização. Entre estes, constavam as famílias de João Frederico Schmidt, com a esposa e três filhos e de Cristiano Frederico Schmidt, com a esposa e seis filhos. O primeiro retornou a São Leopoldo e se mudou, depois, para Três Forquilhas (Torres). O segundo deve ter traduzido/alterado seu nome para Tristão Frederico Ferreira e falecido em 1876, em São Miguel das Missões, já nonagenário.
O difícil acesso, a falta de comunicação, a inexistência de autoridades e de meios de comercialização de produtos rurais abortaram o prematuro projeto da colonização das missões, o que se deu mais de meio século depois. 


Quadro de espera dos imigrantes em portos brasileiros

O jovem imperador Dom Pedro I estava muito preocupado e assustado com os surtos separatistas das antigas colônias espanholas na América do Sul, especialmente junto à longa e indefinida fronteira. Já estava atemorizado com as revoltas da Independência em diversas províncias brasileiras, mormente com a Guerra Cisplatina, que durou 500 dias e ele não queria perder o Uruguai, com mais de 176 mil quilômetros quadrados. O imperador sentia falta de um Exército! A solução adotada foi recrutar soldados e colonos estrangeiros, pois a mera distribuição de sesmarias e datas não resolviam a ocupação e posse do território brasileiro.












Enquanto os imigrantes aportavam nas colônias planejadas, as terras nacionais precisavam ser medidas em lotes coloniais, urgentemente. Para não ferir os direitos adquiridos pelos donos de sesmarias e datas, Dom Pedro encarregou, em Portaria de 31-3-1824, o presidente José Feliciano Fernandes Pinheiro a proceder a medição de todo o terreno em que se acha a Feitoria do Linho Cânhamo, e que é de propriedade Nacional, para ao depois se repartir em datas de quatrocentas braças a bem do estabelecimento de uma colônia de alemães. E 5 dias depois de ser assinada a citada Portaria, levantou âncora em Hamburg o navio que trazia os 39 pioneiros para São Leopoldo, chegando em 18 de julho, mas ainda não estava tudo pronto para se fixarem na Feitoria.

 José Feliciano Fernandes Pinheiro
Visconde de São Leopoldo















Na Feitoria chegam os primeiros 39 imigrantes em 25-7-1924

Depois de uma semana hospedados em Porto Alegre, na sexta-feira de 25 de julho de 1824 os 39 primeiros imigrantes foram levados em pequenas embarcações para o antigo galpão da Real Feitoria do Linho Cânhamo. São os 190 anos de história que estamos recordando. Dos 39 pioneiros, 6 eram católicos (das famílias Krämer e Hammel) e 33 eram evangélicos (das famílias Pfingsten, Rust, Timm, Bentzen, Gross, Jaacks e Höpper, cujo bebê João Ludovico nasceu na viagem). 

Escravatura no Vale do Taquari


Observando-se a Estatística antiga, vê-se que só uma década antes de chegarem os primeiros imigrantes no RS, em 1814 havia nesta Província o total de 70.656 habitantes, dos quais 32.300 brancos (45,7%), 20.611 escravos (29,1%), 8.655 indígenas (12.2%), 5.399 livres de todas as cores (7,6%) e 3.691 recém-nascidos (5.2%).
 No distrito de Taquari, em 1814, havia o total de 1.714 habitantes, dos quais 1.092 brancos (63%), 433 escravos (25,2%), 67 livres (3,9%), 42 índios (2,4%) e 80 recém-nascidos (4,6%).
Aqui entram os 300 escravos que os irmãos João e José Inácio Teixeira se dividiram em 1824 ao assinarem o Distrate de sua sociedade, após 30 anos de duração. Boa parte destes escravos estiveram também derrubando toras de madeira e colhendo erva-mate nas fazendas do Vale do Taquari para os seus donos venderem em Porto Alegre.
Em 1846, a Estatística só dá o total de 3.750 habitantes ao distrito de Taquari. No distrito de Santo Amaro, à qual pertenciam as fazendas da margem direita do Rio Taquari (incluindo Lajeado), havia o total de 1.285 brancos (50%), 982 escravos (38,3% dos quais 873 “pretos” e 109 “pardos”), mais 64 índios, 66 pretos libertos e 163 pardos libertos, que somavam os outros 50%. Como se vê, cada branco tinha a média de 1,3 escravo. Certamente, os libertos e índios viviam de peão ou biscate.
Vamos lembrar que em 1846, os imigrantes já se espalhavam nos 22 anos de imigração por toda a grande São Leopoldo e em Taquari, os primeiros imigrantes já tinham vindo 13 anos antes da emancipação de Taquari, ocorrido em 1849.



Vida de privações dos pioneiros

Ao chegar ao Brasil, os imigrantes alemães sofreram para se adaptar ao clima brasileiro, ao idioma, à legislação precária e às novas condições de vida, normalmente primitivas, que já não tinham em seu país de origem.
Uns dias depois, mais quatro imigrantes alemães e dois açorianos se agregaram ao primeiro grupo. Em 6-11-1824, vieram mais 81 imigrantes, totalizando 126 pessoas. Só então, boa parte dos lotes estavam medidos. Houve um aumento de 50 para 77 hectares de terra, o que agradou muito a todos.
Em muitos casos, imigrantes chegavam ao Brasil, sem que suas terras estivessem demarcadas, ficavam alojados em prédios ocupados antes por escravos, aguardando durante meses o assentamento em seus lotes. Também por problemas na demarcação de terras, muitas brigas surgiam.
Funcionários do governo encarregaram e pagaram alguns luso-brasileiros para fornecer mantimentos e alimentação aos imigrantes, mas o que mais forneciam era cachaça para que parassem de reclamar junto ao governo. Demorou ao imigrante entender e falar um pouco em português.
Depois que o imigrante recebesse o documento de posse do seu pedaço de chão, para devia seguir às próprias custas, sem estradas e pontes.
Cabia derrubar o mato, construir uma barraca provisória, fazer a coivara, preparar a roça, plantar. Enquanto esperava crescer a plantação, o colono montava algum galpão e estrebaria.
O isolamento das colônias também dificultava a adaptação ao novo ambiente, na medida em que faltava acesso a tratamento médico para doenças ou partos, (quando a colônia não tinha seu próprio médico) e muitos morriam por não chegarem a tempo na cidade mais próxima, pois dependiam de transporte por tração animal, o que era lento e poderia levar horas ou dias. A distância, mas também a falta de dinheiro dificultava o acesso a tratamentos.
A situação precária para sobrevivência causava muita decepção e desgosto, pois não eram as perspectivas que alimentavam quando decidiram emigrar. As promessas de que iriam para o "paraíso" aumentavam o sofrimento, quando estavam frente a frente a matas fechadas para derrubarem a machado e foice, onde inclusive as mulheres ajudavam.
A espera pelo cumprimento de promessas como o desenvolvimento da região com a construção de vias de acesso e a promessa de subsídio com dinheiro ou instrumentos de trabalho (ferramentas, sementes, gado, material de construção) não foram cumpridas na maior parte das colônias alemãs. 

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Lembranças da Viagem pela Itália

         Da nossa viagem pela Itália em maio de 2014, compartilhamos com os leitores várias lembranças.


Renê Alievi Schierholt observa a Guarda Suíça na entrada do Vaticano, em foto clicada por José Alfredo.

Guarda Suíça Pontifícia é o nome dado ao corpo de guarda responsável, desde 22 de janeiro de 1506, pela segurança do Papa e da Cidade do Vaticano. Atualmente, é composta por cinco oficiais, 26 sargentos e cabos e 78 soldados. É a única guarda do mundo em que a bandeira é alterada com cada novo chefe de Estado, pois contém o emblema pessoal do Papa.
O dia 6 de maio é a data de admissão de novos guardas e prestam juramento diante do Papa. Fazem o juramento com a mão direita levantada e os três dedos do meio abertos, recordando a Santíssima Trindade.
É o único grupo de soldados particulares que a lei suíça aceita. Do corpo da Guarda Suíça só podem fazer parte homens de robusta constituição física, com um mínimo de 1,74m de altura, católicos, com diploma profissional ou ensino médio concluído, com idade entre 18 e 30 anos. Só os cabos, sargentos e oficiais podem ser casados. Devem também ter feito já treino militar do exército suíço, não ter registo criminal e ser de reputação social absolutamente imaculada. Dois anos, eventualmente renováveis até um máximo de 20, são o tempo de compromisso máximo de um membro da Guarda Suíça.
O curioso uniforme da Guarda Suíça é um espetáculo à parte. Com sua malha de cetim nas cores azul-real, amarelo-ouro e vermelho-sangue, causa estranheza que um soldado esteja trajado com roupas tão coloridas. O design do traje é atribuído a Michelangelo.
A língua oficial da Guarda Suíça é o alemão, mas falam várias línguas. Prestam serviços diversos para o Papa, tais como a guarda em visitas de autoridades estrangeiras, o acompanhamento e assistência em viagens internacionais ou a prestação, à paisana, de serviços de segurança do Papa, ocasião em que os guardas se misturam com as multidões na Praça de São Pedro. Nesse caso, os soldados da Guarda Suíça servem como guarda-costas, estando equipados com armamento variado e modernos equipamentos de comunicação.


Papa Francisco posa junto a guardas suíços, sendo alguns músicos.



Obelisco é um monumento quadrangular, agulheado, feito ordinariamente de um bloco só de pedra sobre um pedestal. O Obelisco do Vaticano está no centro da Praça de São Pedro no Vaticano, Roma. É originário do Egito e foi transportado para o Vaticano pelo imperador Calígula para decorar a "espinha" de seu novo Circo, onde posteriormente seria martirizado São Pedro, motivo pelo qual o obelisco foi lá mantido, por estar próximo ao local do martírio do apóstolo. É constituída de granito vermelho vindo de Assuão. Sua base possui quatro leões de bronze e sua altura é de 40 m contando até a cruz, sendo o segundo maior obelisco de Roma, após o Obelisco Laterano, transportado para Roma três séculos mais tarde. A cruz em cima do obelisco guarda um dos pedaços originais provavelmente da cruz de Jesus Cristo, colocadas ali pelo Papa Sisto V.



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Vales municipais na Revolução Federalista

Recebi uma cópia de um Vale de 100 réis emitido pelo intendente de Lajeado Joaquim de Morais Pereira, mais conhecido por Quinca Pereira, nomeado, de 17-12-1893 a 21-1-1895. Como os documentos e valores tinham sido levados pelo intendente anterior, Bento Rodrigues da Rosa, para Taquari, a fim de impedir seu saque e destruição durante a Revolução Federalista, encontrava-se acéfala a administração municipal de Lajeado. Por esta razão, eram emitidos tais Vales para pagar os fornecedores.
O original do documento está em nome de Cristiano Horn, possivelmente descendente de Pedro Horn, que tinha açougue em Estrela e seu filho Filipe, que era eleitor nº 682, em 1890, residente no Bairro Carneiros, em Lajeado.

          Pesquisas de José Alfredo Schierholt




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Arno Müller

Arno Müller é engenheiro metalúrgico, professor universitário, escritor, diretor da Escola de Engenharia da UFRGS, presidente da Associação dos Estrelenses de Porto Alegre - AEPA, eleito em 2000, vice-presidente Administrativo do Centro Cultural 25 de Julho e vice-presidente social da Comissão dos Festejos dos 180 anos da Imigração Alemã no Brasil, em 2004.
 Nasceu em Estrela, em 26 de janeiro de 1939, filho de João Edgar Müller (barbeiro) e de Maria Elvira Schneider Müller (empresária comercial). Fez o primário no Colégio Paroquial São Luiz, o ginasial no Ginásio marista Cristo Rei. Em 1954, em Porto Alegre iniciou o científico no Colégio Rosário e em 1958, prestou vestibular para Engenharia na UFRGS.  Em 1960-61, fez o CPOR-PA, concluindo como tenente da Reserva do Exército brasileiro. Em 1961, casou-se com sua colega de engenharia Iduvirges Lourdes Stein, tendo quatro filhos: Ana Simone (Richter), Adriane (Ilha), André Michel e Alejandra.
Durante o curso de engenharia trabalhou com funções de gerente na Caldeiraria Ecobrás e como estagiário na Fundição Wallig, ambas em Porto Alegre. Em 1962, formou-se como engenheiro metalúrgico e no ano seguinte foi convidado para trabalhar no Centro Técnico da Aeronáutica, em São José dos Campos, SP, como pesquisador na área de Metais Raros. Durante os sete anos lá fez projetos pioneiros para o Brasil e mesmo para a América Latina, tais como: desenvolvimento de um forno solar para altas temperaturas, fusão a vácuo de metais reativos, projeto e construção de uma Usina para a fabricação de Titânio metálico pelo processo Kroll (condecorado com uma placa de prata). Paralelamente, foi professor no ITA, em 1963, lecionando Introdução à Ciência dos Materiais e na Escola de Engenharia de Taubaté, no seu Departamento de Engenharia Mecânica, até 1969, ano em que obteve o seu título de Mestre em Materiais no ITA, defendendo uma Dissertação sobre fibras de carbono. Em 1970, obteve uma bolsa de estudos da OEA, para realizar seu Doutorado na Comisión de Energia Atômica em Buenos Aires, o que se realizou em 1974, ano em que fui contratado pela UFRGS para criar um Programa de pós Graduação na área de Engenharia Metalúrgica e dos Materiais, credenciado pelo MEC dois anos depois, e se transformou num dos melhores do país. Em paralelo com suas atividades puramente didáticas e acadêmicas, participou de outras ações, tais como: criação da AGEMET (Associação Gaucha de Engenheiros Metalúrgicos), diretor da Escola de Engenharia da UFRGS, Coordenador do Núcleo de Tecnologia da UFRGS, Presidente do Conselho Superior da Fapergs, Diretor Administrativo da FUNDATEC, Membro do Conselho Provisório de Cultura do RS. Depois de aposentado como professor titular na UFRGS foi contratado pela ULBRA para instalar um Programa de Pós Graduação de Engenharia, o que foi possível depois de dois anos. Como resultado desta atividade foram editados dois livros. Durante sua vida acadêmica foi agraciado, junto com seus alunos, com o Prêmio Villares e Prêmio Cosipa, concedidos pela Associação Brasileira de Metalurgia para os melhores trabalhos apresentados no Congresso Anual de 1969.  Em 2009, a UFRGS batizou com o seu nome o Laboratório de Fundição do Centro de Tecnologia. Sua experiência técnico-científica, acumulada em 30 anos de Universidade, publicou no livro Solidificação e análise térmica dos metais, UFRGS, em 2002. Ao se aposentar, resolveu focar seu interesse em questões ligadas à etnia teuto-riograndense. Para tal se aproximou do Centro Cultural 25 de Julho de Porto Alegre onde integrou o seu Coro Masculino e, mais tarde, foi seu vice-presidente administrativo. Elaborou temas que apresentassem uma “cara nova” às já tradicionais Festividades e atividades culturais da etnia que existiam em quase todo estado. Verifiquei uma pobreza de informações de todo tipo em relação a certos hábitos, costumes e valores. Começou então a coletar material para apresentar novas sugestões, dadas em seus livros: Cerveja, pela Ulbra (2002); Redescobrindo a cozinha colonial alemã no RS, em coautoria Lori Heinrichs, pela Amstad (2004) e 2ª edição bilíngue, português-alemão (2009); A imigração alemã e a indústria cervejeira do RS, pela Editora Amstad (2012); Os engenheiros da antiguidade, pela Editora Amstad (2012); A imigração alemã no Rio Grande do Sul e o Hunsrück, pela Editora Amstad, lançado em 2014. Nesta linha de atividades foi a montagem e apresentação de uma peça “Encontro de Culturas”, sob forma de canto, coreografia culinária e diálogos, com a participação do Coro Masculino e do Grupo de Danças do 25 de Julho.